Nos anos 90, no bairro Manoel Luiz, em Brejo dos Santos, no Sertão do estado, caminhava um homem chamado "João Índio". Pequeno no tamanho, grande na presença. A pele escura trazia o sol de muitos caminhos, e o corpo, marcado por cicatrizes, contava histórias que ele raramente dizia em palavras.

João Índio veio de uma tribo indígena da região da Grande João Pessoa. Tinha um olho apagado pelo passado, a boca riscada pelo tempo e no ventre uma linha funda, como se a vida tivesse passado ali desenhando sua assinatura. Ainda assim, ria. Brincava. Zombava da própria dor. Vestia seu short surrado e seguia vendendo frutas colhidas da própria terra, oferecendo mais que alimento: oferecia convivência.

Casou com Dona Otília, natural do sítio Serra Nova, na zona rural de João Dias, no Rio Grande do Norte. Depois que a esposa se foi, João também partiu. Silencioso, sem despedidas. Foi embora no fim dos anos 90 e nunca mais voltou.

Sem fotografia, sem endereço, sem notícia. Hoje, João Índio vive onde o tempo não alcança: na lembrança de quem o viu passar.

Folha Brejo-Santense com colaboração com professor Enéas Pereira
Foto: Ilustrativa/IA/App Gemini 
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