A trajetória de Byanca Alves Abrantes, para alguns carinhosamente conhecida como "Bya", ganhou novos contornos desde que decidiu trocar a capital João Pessoa pelo interior paraibano. Mulher trans e cheia de expectativas, ela buscou em Brejo dos Santos, no Sertão, uma reconexão com suas origens, motivada pelo desejo de conhecer de perto a parte da família que reside na cidade onde sua mãe nasceu. O que era para ser uma visita de reconhecimento transformou-se em uma experiência de vida marcada por surpresas e um senso de pertencimento que Bya não imaginava encontrar tão rapidamente.
Desde o primeiro dia em solo brejo-santense, ela relata ter sido envolvida por uma rede de acolhimento que superou suas projeções iniciais. Para quem migra de uma metrópole para uma cidade do interior, o receio da resistência social costuma ser uma companhia constante, mas a realidade local mostrou-se majoritariamente generosa. Ela destaca que foi muito bem tratada em praticamente todos os lugares por onde passou e pela grande maioria das pessoas com quem interagiu, sentindo-se respeitada em sua identidade dentro do convívio social cotidiano.
Apesar da recepção calorosa da vizinhança e do abraço afetuoso dos familiares, a adaptação também apresenta seus desafios estruturais e sociais. A entrevistada aponta que o mercado de trabalho ainda é o setor onde as barreiras são mais visíveis e difíceis de transpor. A dificuldade em conseguir um emprego formal na cidade é acentuada por dois fatores principais que caminham lado a lado: a escassez de vagas que afeta a região de forma geral e o preconceito persistente de alguns proprietários de estabelecimentos, que ainda manifestam resistência em abrir portas para a diversidade.
Mesmo diante de situações isoladas de preconceito e assédio, Bya mantém uma visão otimista sobre sua permanência e o futuro no interior. Ela pondera que, considerando o cenário que esperava enfrentar em uma comunidade menor, os episódios negativos foram raros e não ofuscaram a boa recepção. A força de sua presença em Brejo dos Santos hoje simboliza não apenas uma busca pessoal por raízes familiares, mas também um movimento de ocupação de espaços onde o afeto da família e o respeito da comunidade se tornam os pilares fundamentais de sua nova história de vida.
Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense
Foto: Arquivo pessoal

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