Nos meados da década de cinquenta, enquanto o Brasil vivia a efervescência das Copas do Mundo e idolatrava craques como Zizinho e Ademir da Guia, o espírito esportivo ganhava novos contornos no Sertão paraibano. Em Brejo dos Santos, na época um distrito de Catolé do Rocha, a transição do tradicional jogo de peteca para o futebol marcou uma era de união comunitária e esforço coletivo que transformaria o lazer daquela população.

A iniciativa partiu de um grupo de entusiastas que já se destacava na peteca, entre eles Ismael, Paulo Conrado, Obadias, Manassés e Ezequiel, este último popularmente conhecido como "Zaquié". Para viabilizar o projeto, foi necessário um verdadeiro mutirão para a arrecadação de recursos destinados à compra de bolas, meiões e uniformes. O primeiro time vestiria camisas brancas com detalhes em vermelho, enquanto o segundo quadro utilizaria detalhes em azul.

A estruturação física também exigiu trabalho braçal. O terreno para o campo de jogo foi aplanado em uma área estratégica atrás do Açude Velho, situada entre as residências de figuras locais conhecidas e a estrada que ligava o distrito ao alto do campo de aviação. Sob a liderança técnica e organizacional de Zaquié, os treinos passaram a ocorrer religiosamente aos sábados à tarde, consolidando o entrosamento necessário para o grande desafio que estava por vir.

O momento histórico da inauguração ocorreu finalmente no domingo, dia 21 de janeiro de 1955. O adversário escolhido foi a equipe do Panatí, um time do Rio Grande do Norte que já possuía maior experiência e jogos oficiais no currículo. A partida foi marcada pelo equilíbrio e por um protocolo rigoroso, contando com um juiz diferente para cada tempo de jogo.

Apesar do esforço dos jogadores locais, a vitória sorriu para os visitantes. O placar foi decidido apenas no final do segundo tempo, com um gol marcado por Antônio Germano, selando o resultado em favor da equipe potiguar. Embora o time da casa não tenha saído vitorioso em sua estreia, o evento foi celebrado como o marco fundador do futebol na "Terra dos Doutores", deixando para a história o registro dos primeiros atletas que ousaram trocar a peteca pela bola de couro nos campos de terra do interior.

Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense 
Colaboração: Osmar de Lima Carneiro 
Foto: Ilustrativa/IA - App Gemini 
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