Por volta das décadas de 60 e 70, quando Brejo dos Santos ainda tinha características de pequena vila sertaneja, um episódio envolvendo a visita de Frei Damião de Bozzano marcou a memória popular e atravessou gerações como um dos relatos mais comentados da história local. A passagem do missionário pelo antigo mercado público, no centro da cidade, teria sido cenário de um momento que até hoje desperta curiosidade e reflexão entre os moradores mais antigos.

Durante uma de suas tradicionais missões pelo Nordeste, Frei Damião reuniu uma multidão de fiéis em procissão pelas ruas simples do município. O cortejo religioso, formado por homens, mulheres e crianças, seguia até se aproximar do mercado público. Ao chegar ao beco localizado à direita do prédio, o frade capuchinho teria interrompido a caminhada de forma repentina.

Segundo relatos preservados pela tradição oral, o religioso levantou o crucifixo que carregava e afirmou que naquele ponto específico havia uma “energia ruim”. O silêncio tomou conta da multidão. Muitos dos presentes observavam atentos a expressão séria do missionário, conhecido em todo o Nordeste por suas pregações firmes e pelo forte apelo à fé.

Na época, o episódio foi interpretado como um alerta espiritual. Para parte da população, tratava-se de um chamado à oração e à vigilância moral. Para outros, era mais um momento simbólico dentro das intensas missões religiosas que marcaram o Sertão paraibano naquelas décadas.

Com o passar dos anos, o beco ao lado do mercado público ganhou fama entre os moradores. Coincidência ou não, o local passou a ser citado em diferentes momentos ligados a ocorrências policiais e registros de violência, alimentando ainda mais o imaginário popular em torno da antiga declaração atribuída ao frei. A associação entre o passado religioso e os problemas enfrentados posteriormente contribuiu para consolidar a aura de mistério que envolve aquele trecho da cidade.

Hoje, o mercado público continua sendo um ponto central da vida brejo-santense, espaço de comércio, encontros e circulação diária de pessoas. Porém, para muitos, o beco lateral carrega uma história que vai além da estrutura física e das marcas do tempo. Ele representa um capítulo da memória coletiva onde fé, tradição e acontecimentos sociais se entrelaçam, mantendo viva uma narrativa que ainda ecoa na identidade do município.

Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense 
Foto: Gerada por IA
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