Marcos Antônio da Silva Neto, de 19 anos, é suspeito de matar Rafael Garcia Pedroso, de 31, condenado pelo assassinato de sua mãe, dez anos após o crime, em Frutal, no Triângulo Mineiro. Rafael foi baleado com cinco tiros em frente à Unidade Básica de Saúde (UBS) Carlos Alberto Vieira, no bairro Novo Horizonte, em 31 de março.

De acordo com o Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Militar (PM), Marcos monitorava Rafael desde que ele deixou a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (Apac) no dia 15 de janeiro. Rafael cumpria pena na Apac pela morte da mãe do suspeito com 20 facadas em 2016.

No dia 31 de março, Rafael estava em frente à unidade de saúde quando, segundo a polícia, foi surpreendido pelo suspeito, que teria feito vários disparos pelas costas. A vítima aguardava a esposa ser atendida no local.

De acordo com a Polícia Civil, Marcos é procurado desde o dia do crime, e já foi solicitado à Justiça um mandado de prisão temporária contra ele.

O advogado do suspeito, José Rodrigo de Almeida, disse que o cliente pretendia se apresentar espontaneamente à Delegacia de Plantão da Polícia Civil e confessar o crime. Mas isso não aconteceu porque, segundo ele, a corporação informou que a apresentação do investigado precisava ser combinada antes e comunicada oficialmente à delegacia responsável pela investigação.

A reportagem questionou a Polícia Civil sobre o procedimento adotado no caso. Em nota, a corporação explicou que, nessas situações, não basta o investigado decidir se apresentar por conta própria. É preciso combinar previamente com a delegacia responsável pela investigação, para que tudo ocorra de forma organizada e sem prejudicar a apuração criminal.

A Polícia Civil também reforçou que a apresentação espontânea não impede uma eventual prisão, caso haja motivos legais. Por isso, mesmo com a intenção de se entregar, é necessário seguir os procedimentos e alinhar a apresentação com a polícia.

Além disso, o órgão destacou que o caso já está em estágio avançado de investigação. Foi questionado a Polícia Civil se o mandado de prisão contra o investigado já foi concedido pela Justiça de Frutal e aguarda retorno.

Vítima matou mãe de suspeito 10 anos antes

Segundo o processo que trata do assassinato da mãe de Marcos, Glauciane Cipriano, o crime ocorreu no dia 3 de julho de 2016. Na ocasião, Rafael matou sua até então companheira ao esfaqueá-la cerca de 20 vezes.

O caso ocorreu durante a abertura da ExpoFrutal, quando o casal e amigos participavam de um churrasco com consumo de bebidas alcoólicas. De acordo com as investigações, após a mulher sair para deixar um dos filhos com a madrinha, o suspeito, movido por ciúmes, a perseguiu.

Já de volta ao local da confraternização, ele questionou a demora da vítima e, em seguida, a atacou de forma repentina enquanto ela estava sentada. Segundo a sentença, não houve chance de defesa de Glauciane e crime ocorreu na frente de Marcos, que na época tinha 9 anos.

Testemunhas ainda tentaram impedir a agressão, mas não conseguiram. A condenação aponta que o homicídio foi cometido por motivo fútil, com uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, no contexto de violência doméstica e familiar.

O que diz a defesa de Marcos

A defesa de Marcos Antonio da Silva Neto afirmou que, desde o início, tentou colaborar com a investigação e chegou a procurar a polícia para organizar a apresentação espontânea do suspeito.

Segundo os advogados, Marcos não se apresentou no dia do crime porque o defensor responsável estava em outra cidade e só conseguiu chegar a Frutal à noite, quando a delegacia já estava fechada. Por isso, a ideia era fazer a apresentação no dia seguinte, diretamente ao delegado.

A defesa também diz na nota que o investigado sempre demonstrou intenção de prestar depoimento e até confessar o que aconteceu. No entanto, o pedido para ouvi-lo não foi atendido de imediato.

Além disso, os advogados afirmam que souberam, de forma não oficial, do possível mandado de prisão, que ainda não teria sido formalizado no inquérito. Por isso, disseram que tomaram medidas na Justiça para ter acesso à decisão.

Por fim, a defesa reforçou que Marcos não tentou fugir e que continua disposto a colaborar com as autoridades.

g1
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