Um dos principais programas sociais do Governo da Paraíba, o “Tá na Mesa”, passou a ser alvo de críticas de empresários e fornecedores que relatam dificuldades financeiras atribuídas a atrasos em repasses. As reclamações ganharam força nos últimos dias, especialmente em grupos de redes sociais, onde participantes cobram posicionamento da gestão estadual.

De acordo com conversas entre os empresários envolvidos no programa que a equipe de reportagem do portal Fonte83 teve acesso, cerca de 80 pequenos empreendedores estariam sendo impactados por suposta inadimplência. Além deles, a situação também atingiria uma cadeia mais ampla de prestadores de serviço e fornecedores, incluindo comerciantes ligados à Central de Abastecimento (Ceasa), distribuidores de gás, donos de imóveis alugados e outros parceiros comerciais.

As queixas apontam que a falta de pagamentos estaria gerando dificuldades para manter as atividades e honrar compromissos financeiros. Parte desses empresários afirma que já enfrenta restrições no fornecimento de insumos e serviços, o que pode comprometer o funcionamento regular das operações vinculadas ao programa.

A condução da política é atribuída à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Humano (SEDH), responsável pela área social no estado, atualmente sob gestão de Neide Nunes. Até o momento, não houve detalhamento público sobre os motivos dos supostos atrasos nem sobre eventuais medidas para regularização.

O tema também chega ao campo político, com críticas direcionadas à gestão do governador Lucas Ribeiro (PP), especialmente em razão do curto período desde o início do mandato. As manifestações, no entanto, partem principalmente de grupos afetados e não refletem, até agora, um posicionamento oficial consolidado do governo sobre a situação.

Entre os relatos de empresários, o cenário descrito é de crescente pressão financeira. O empresário Alissin Vieira afirma que a situação já gera impactos significativos: “Dois meses sem repasse implicam em um prejuízo de, no mínimo, R$ 200 mil. Não posso garantir o fornecimento pela semana toda e vou seguir até onde o estoque der”.

Em outro momento, Alissin reforça que o problema se agravou com decisões de investimento tomadas com base na expectativa de recebimento regular: “Os fornecedores fizeram novos investimentos, utensílios, insumos, aluguel de novos pontos e acordos trabalhistas, contando com os pagamentos, e isso virou uma bola de neve”.

Já o empresário Romário França relata uma situação pessoal mais extrema, afirmando: “Fiz uma promessa de só comer direito quando o Estado pagar. Já perdi 25 kg em quatro meses de dieta”, em referência ao período de atraso alegado.

O grupo Delivery Novo Horizonte também demonstra preocupação com a continuidade das atividades. Em outra mensagem, o posicionamento foi de alerta e mobilização: “Ou a gente se organiza imediatamente para solicitar uma reunião com a Secretaria, ou precisamos nos preparar para enfrentar mais 15 dias de espera. A situação já ultrapassa o razoável… É importante que haja uma mobilização conjunta”.

Outro relato, de Iderlan Raimundo da Silva, descreve uma situação ainda mais crítica, com impactos diretos na sobrevivência do negócio: ele afirma que “o capital acabou, ultrapassou todos os limites e o dono do prédio ameaça despejá-lo por falta de pagamento”. Também menciona preocupação com possíveis consequências legais, dizendo temer ser preso por dívidas, embora outros participantes o tenham tranquilizado ao lembrar que dívida, por si só, não leva à prisão.

Até o momento, não houve resposta pública detalhada do governo sobre as denúncias apresentadas pelos fornecedores nem indicação de cronograma oficial para regularização dos repasses.

Fonte83 
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