A matéria publicada pelo Repórter Caveira sobre a contratação da dupla gospel Canção e Louvor por R$ 150 mil em Bom Sucesso levanta uma discussão que precisa ser ampliada. Se o objetivo é fiscalizar os gastos públicos, que a régua seja a mesma para todos.
O que causa estranheza é que dificilmente se vê o mesmo empenho para questionar cachês milionários de artistas seculares que se apresentam em festas públicas cantando músicas recheadas de apelos sexuais, duplo sentido e conteúdos que muitos consideram vulgaridades. Em diversas cidades, shows desse tipo custam valores muito superiores aos pagos a artistas do segmento gospel, mas raramente se transformam em alvo de reportagens tão detalhadas sobre custo por hora de apresentação.
Outro ponto que parece ser ignorado é que uma banda cristã também possui despesas. Há custos com músicos, equipe técnica, sonorização, iluminação, transporte, hospedagem, alimentação, impostos, produção e toda uma estrutura necessária para que o evento aconteça. A ideia de que apenas artistas seculares possuem custos operacionais não corresponde à realidade do mercado musical.
Além disso, a apresentação gospel realizada em Bom Sucesso não foi apenas um show. O evento integrou as comemorações de emancipação política do município e o Dia Municipal do Evangélico, reunindo milhares de pessoas e movimentando a economia local. O mesmo argumento utilizado para defender investimentos em festas tradicionais também pode ser aplicado a eventos religiosos que atraem público e fortalecem o comércio.
Fiscalizar recursos públicos é importante e necessário. Porém, a coerência exige que os questionamentos alcancem todos os cachês, independentemente do gênero musical, da religião ou da ideologia envolvida. Se R$ 150 mil para uma dupla gospel merece debate, então que também sejam debatidos os valores pagos a artistas que, muitas vezes, recebem cifras ainda maiores para subir ao palco e cantar o que muitos classificam como verdadeira putaria financiada com dinheiro público.
Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense

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