É muito fácil falar mal da corrupção em Brasília. É fácil apontar para deputados, senadores, ministros e políticos que aparecem na televisão. Difícil é olhar para dentro da própria cidade e reconhecer que determinadas práticas também precisam ser discutidas. Afinal, se corrupção é errada, ela não deixa de ser errada porque aconteceu em uma cidade pequena, porque envolve alguém conhecido ou porque beneficiou o grupo político de quem a apoia.

Existe uma contradição que precisa ser encarada de frente: como alguém pode dizer que é contra a corrupção e, ao mesmo tempo, aceitar dinheiro, emprego, promessa de benefício ou apadrinhamento em troca de apoio político? Como pode condenar a compra de votos quando é praticada pelo adversário e justificá-la quando beneficia o candidato de sua preferência? Não existe corrupção “do bem” só porque o beneficiado está do nosso lado.

Voto não é mercadoria. Voto não deveria ter preço. Emprego público não deveria ser moeda de troca. Favorecimento pessoal não deveria ser o caminho para conquistar apoio político. E o cidadão não deveria precisar vender sua consciência para receber aquilo que deve ser tratado com critérios públicos e impessoais. A compra de votos, além de ser uma questão ética, é ilegal e precisa ser tratada com seriedade, sempre com provas quando houver denúncias concretas.

Também é preciso parar com a ideia de que corrupção é problema apenas de político. A política é formada por políticos e eleitores. Quando alguém critica a corrupção em Brasília, mas aceita uma vantagem pessoal em troca do voto, existe uma contradição que precisa ser reconhecida. Não adianta exigir honestidade dos outros enquanto se aceita aquilo que, em público, se diz combater.

E que fique muito claro: este texto não defende candidato, partido ou grupo político. Não é lado A, não é lado B. Não é elogio para um e ataque para outro. É uma provocação. É uma reflexão. É uma pergunta que vale para todos: se queremos uma política diferente, estamos realmente dispostos a agir diferente também?

Talvez a pergunta mais incômoda não seja “quando Brasília vai acabar com a corrupção?”, mas “quando nós vamos parar de aceitar a corrupção quando ela nos beneficia?”. Porque apontar o dedo para Brasília é fácil. Difícil é ter o mesmo discurso quando o problema está na nossa rua, na nossa cidade ou até mesmo quando bate à nossa própria porta.

Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense 
Foto: IA/Gerada pelo ChatCPT 
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