O cenário político de Brejo dos Santos, no Sertão paraibano, fervilhava durante as eleições municipais de 2000. O que deveria ser apenas mais um capítulo da democracia local, marcado por discursos e mobilização popular, acabou se tornando o pano fundo de uma das maiores tragédias da história recente do município. Naquela noite, após um comício do então candidato a prefeito pelo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), Dr. Júnior, realizado no bairro Alto do Cruzeiro, a rotina da pacata cidade foi rompida pelo desaparecimento de uma figura conhecida por todos: a mulher carinhosamente chamada de "Picica".
Portadora de transtornos mentais, Picica era uma presença constante nas ruas, mas o seu rastro se perdeu em meio à multidão que se dispersava após o evento. Como era comum nos frevos políticos de antigamente, havia um grande consumo de bebidas alcoólicas, o que muitas vezes alterava a percepção e a segurança do ambiente. Informações colhidas na época indicam que, logo após o comício, ela pegou carona em um veículo que faria o transporte de eleitores para o sítio Timbaubinha, localizado na zona rural da cidade. O sumiço imediato gerou uma onda de preocupação que uniu vizinhos e familiares em buscas incessantes pela região.
O clima de esperança de encontrá-la com vida, no entanto, foi substituído pelo luto e pelo choque quando o desfecho do caso se revelou da forma mais cruel possível. Após um período de incertezas, o corpo da vítima foi localizado nas águas de um açude situado justamente na região do sítio Timbaubinha. Embora o local exato seja preservado por respeito, os detalhes da descoberta apontavam para um cenário de violência.
As evidências colhidas na época indicaram que Picica não havia sido vítima de um acidente, mas sim de um assassinato que chocou a opinião pública pela vulnerabilidade da vítima e pela frieza do ato. Mais de duas décadas se passaram desde que o caso ganhou as manchetes locais, mas o silêncio sobre a autoria do crime permanece inalterado. Até os dias de hoje, nenhuma linha de investigação foi capaz de apontar suspeitos ou esclarecer as motivações que levaram à morte daquela mulher. Na cidade, o nome de Picica ainda é pronunciado com uma mistura de saudade e indignação, servindo como uma lembrança constante de um episódio de injustiça que o tempo não foi capaz de apagar da memória coletiva.
Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense
Colaboração: Dr. Júnior Teodomiro
Foto: Ilustrativa/IA - App Gemini
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