Em um tempo em que o acesso a recursos básicos de saúde era uma realidade distante para muitos pequenos povoados do interior, figuras como Maria Mônica do Espírito Santo surgiam não apenas como trabalhadoras, mas como verdadeiras colunas de sustentação de suas comunidades. Em Brejo dos Santos, a história dessa mulher se confunde com a própria história da vida que nascia na região, marcando gerações através de seu ofício como parteira prática e artesã.

Maria Mônica vivia em um cenário de escassez, onde a ausência de médicos, dentistas e infraestrutura básica, como energia elétrica e transporte regular, era a regra. Nesse contexto, o nascimento de uma criança dependia quase exclusivamente do saber empírico e da dedicação das parteiras. Sem treinamento técnico formal ou orientação acadêmica, ela exercia seu papel guiada pela intuição, pelo desejo de servir e por uma rede de solidariedade que unia vizinhos e parentes. Sua atuação era baseada em técnicas transmitidas pela tradição, que envolviam desde o posicionamento correto da mãe até os cuidados específicos com o corte do cordão umbilical.

Além de sua relevância no auxílio aos partos, Maria Mônica era uma mulher de múltiplas frentes. No cotidiano do roçado, tirava o sustento da terra como agricultora em sua propriedade no corredor para os Grossos, na zona rural do município. No entanto, era na manipulação do barro que sua criatividade ganhava forma. Como louceira, ela dominava o processo artesanal de fabricação de utensílios domésticos, produzindo panelas, potes, moringas e alguidares. Cada peça exigia a escolha do barro ideal, o preparo cuidadoso da massa e o tempo preciso de cura e cozimento, revelando uma paciência e um capricho que também aplicava em sua missão de parteira.

Mãe de três filhos e figura respeitada por toda a vizinhança, Maria Mônica é lembrada como uma mulher cuja vida foi dedicada ao trabalho e ao próximo. Sua trajetória ilustra um período em que a carência de políticas públicas de saúde era suprida pela coragem de mulheres que, mesmo sem remuneração ou materiais adequados, garantiam a continuidade da vida. Para aqueles que foram assistidos por suas mãos ou que conviveram com sua presença serena no campo, ela permanece como um símbolo de luta e heroísmo silencioso no coração da cidade.

Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense 
Foto: Ilustrativa/IA
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