Nas eleições de antigamente em Brejo dos Santos, no Sertão da Paraíba, o clima político era marcado por manifestações populares intensas, tanto de apoio quanto de rivalidade entre grupos. Durante o período de campanha, era comum a realização de grandes carreatas e passeatas pelas ruas da cidade e pelas comunidades rurais. Caminhonetas circulavam com pessoas em cima da carroceria, segurando bandeiras, vestindo camisas de candidatos e entoando palavras de ordem, em um verdadeiro espetáculo de mobilização política no interior paraibano.

As carreatas atravessavam as principais vias da cidade, reunindo eleitores de diferentes idades. O som alto, as buzinas e a animação davam o tom da disputa eleitoral, que muitas vezes dividia famílias e vizinhos. No interior, onde a política sempre teve forte influência no cotidiano da população, esses momentos representavam não apenas apoio a candidatos, mas também afirmação de grupos tradicionais.

Após o resultado das urnas, outra prática chamava a atenção e se tornava símbolo daquele tempo. Quando um candidato saía derrotado, adversários costumavam ir até a casa dele para quebrar um pequeno pote de barro na frente da residência. Dentro do recipiente eram colocadas folhas secas e outros materiais simbólicos. O gesto, visto como provocação e demonstração de vitória, fazia parte de uma cultura política marcada por disputas acirradas e rivalidades públicas.

Com o passar dos anos, costumes como esse foram perdendo força, seja por mudanças na legislação eleitoral, seja pela transformação do comportamento social. Ainda assim, permanecem na memória de muitos moradores como retrato de uma época em que as eleições em Brejo dos Santos eram vividas com intensidade, tradição e forte participação popular.

Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense 
Foto: ChatGPT 
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