Em muitas cidades pequenas do Brasil, uma cena se repete com frequência: pessoas humildes tentando se aproximar de quem tem dinheiro, influência ou poder. À primeira vista, parece amizade, parceria ou até oportunidade. Mas, na prática, muitas vezes a realidade é bem diferente. Em certas “rodas” de gente rica, o pobre não entra para ser amigo — entra apenas para servir.

É comum ver pessoas simples sendo chamadas apenas quando convém. É para fazer um favor, resolver um problema, buscar algo, levar recado, ajudar em alguma tarefa ou até defender alguém em discussões. Quando tudo está bem, o tratamento pode até parecer cordial. Mas basta a situação mudar para que fique claro quem é considerado importante e quem é apenas útil.

O problema não é a diferença de dinheiro entre as pessoas. Isso sempre existiu e sempre vai existir. O verdadeiro problema aparece quando essa diferença vira uma relação de interesse, onde um lado manda e o outro apenas obedece. Nesse tipo de ambiente, o pobre raramente é visto como igual. Ele vira o “quebra-galho”, o que está sempre disponível, o que resolve as pequenas coisas que ninguém quer fazer.

Muita gente entra nessas rodas acreditando que isso pode trazer oportunidades ou reconhecimento. Em alguns casos até pode acontecer. Porém, na maioria das vezes, o que existe é apenas uma relação de conveniência. Enquanto serve, está por perto. Quando deixa de ser útil, simplesmente é deixado de lado.

Talvez esteja na hora de algumas pessoas refletirem mais sobre o próprio valor. Amizade de verdade não se mede pelo tamanho da conta bancária, mas pelo respeito, pela reciprocidade e pela forma como as pessoas se tratam quando não precisam de nada umas das outras.

Ninguém deve se diminuir para fazer parte de lugar nenhum. Porque, no fim das contas, quem só é lembrado para fazer mandado nunca foi realmente parte da roda — apenas estava ali para servir.

Por Taan Araújo, Folha Brejo-Santense 
Foto: IA

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